Energia Renovável


Mercado mundial de biomassa

Pellets

Hoje o consumo mundial de pellets é de cerca de 7 milhões de toneladas por ano e, no próximo ano, esse consumo pode chegar a 10 milhões de toneladas e a 17 milhões de toneladas já em 2010.

Consumo (ton) 2006 Realizado 2010 Projeção Crescimento Europa 4.400.000 8.400.00 91% USA e Canadá 2.200.000 7.800.00 255% Ásia e Am. Latina 200.000 400.000 100% Total mundial 6.800.000 16.600.000 144%

Termelétrica de Shasta CA - USA 49,9 MW líquidos com resíduos de madeira.

A Europa hoje enfrenta dois problemas: geração de energia limpa e combustível para aquecimento das residências para o rigoroso inverno europeu.

Na Europa, a geração de energia possui duas matrizes principais: nuclear ou termelétrica. Ambas poluentes.

A energia nuclear enfrenta forte oposição popular por ser considerada uma fonte energética suja e pelo trágico acidente de Tchernobil.

A energia termelétrica também sofre com a oposição popular, por utilizar combustível fóssil (gás ou carvão), com a dependência do gás russo, e, consequentemente, com o domínio soviético e com a alta do preço dos derivados do petróleo.

Na Europa, somente cerca de 10% da demanda de energia é suprida por fontes de energias renováveis.

A previsão é que esse percentual chegue a 20% em 2020 enquanto que no Brasil este índice chega a 46%.

Pellets de madeira

Os Pellets de madeira (resíduos como o pó-de-serra) têm se tornado uma alternativa economicamente viável desde 2004 quando o preço do petróleo começou a crescer rapidamente. A tecnologia originada na Áustria está se espalhando para os países europeus vizinhos com vendas de aquecedores domésticos à base de pellet aumentando à proporção de 300% em alguns países europeus.

Há uma enorme disparidade em como o pellet se espalhou pelo mercado europeu.

A Suécia, o maior produtor e consumidor na Europa, têm provavelmente a maior tradição na utilização deste tipo de combustível. O interesse cresceu como resultado da crise do petróleo na década de 70. E, pelos idos da década de 80 a indústria atingiu seu primeiro pico de produção atingindo a marca de 50.000 toneladas por ano. Graças à legislação favorável, como a taxação sobre combustíveis fósseis, a produção expandiu-se para 1.500.000 de toneladas ao ano em 2006.

Na Finlândia e Noruega, como não houve os mesmos incentivos, a utilização de pellets é significantemente menor.

Exemplo de esforço para valorização de biomassa na Finlândia - enfardamento de resíduos da floresta de pinus.

O mercado Dinamarquês expandiu-se rapidamente nos anos 90, mas o fim de generosos subsídios resultou em um declínio no mercado.

Ao contrário da Suécia, Bélgica e Holanda utilizam pellets para geração de energia, enquanto que nos países do centro Europeu utilizam para aquecimento residencial.

Os subsídios possuem um importante papel no aumento do uso de combustíveis renováveis. O governo da Áustria tem subsidiado os aquecedores domésticos desde os anos 80. Restrições na emissão de carbono e a situação competitiva têm levado às empresas a desenvolver sistemas de alta tecnologia o que também permitem facilidade na utilização.

É estimado que dois terços de todos os novos aquecedores domésticos da Europa são baseados na queima de pellets. As vendas de aquecedores à base de pellet dobraram em 2005, comparados a 2004 e continuaram dobrando em 2006, comparados a 2005.

Na França, as vendas de aquecedores movidos a pellet aumentaram em 300% em 2006 ajudados pelos subsídios governamentais. A Itália é outro exemplo de mercado em expansão. Similar desempenho é esperado no Reino Unido, Irlanda, Espanha e Suíça. Os países da União Européia deverão ter em breve uma lei para estimular o uso de energias renováveis no continente. Esta lei vai determinar os objetivos do uso desse tipo de energia, assim como determinar planos estratégicos para atingir as metas.

Pellets de madeira - restrições

A maior questão para a produção de pellets de madeira é a oferta de matéria-prima. Os resíduos da madeira, como o pó de serra, estão relacionados com a indústria da extração da madeira. E o aumento da produção não pode ser feito espontaneamente. Aliado a isso, pressões ambientais e aumento nos preços tem forçado muitas indústrias a substituir a madeira por plástico em uma série de produtos. O enorme crescimento de novas indústrias e um inverno rigoroso em 2005/2006 causou, na Europa, problemas de abastecimento de pellets de madeira. Depois de 2005 os preços subiram constantemente atingindo um pico em Dezembro de 2006. Naquela época os preços de pellets e do óleo estavam quase idênticos. Dificuldades de fornecimento nos últimos dois anos são basicamente relacionados à falta de estoque de resíduos de madeira. Enquanto que na Europa a falta de matéria-prima possa ser um fator limitante, certamente não será abandonada, pois tudo indica que o pellet se tornará a próxima comoditie internacional. A produção e a combustão do pellet de Madeira é uma tecnologia completamente desenvolvida e viável. Porém como o pellet de madeira sofre com falta de matéria-prima a alternativa é a utilização de pellets de resíduos agrícolas.

Pellets de bagaço de cana - oportunidade

O bagaço de cana é gerado como resíduo no processo de transformação da cana de açúcar em álcool. Este resíduo é altamente poluente e tem uma pequena destinação, na própria usina de álcool, para geração de energia. Porém, com pouca eficiência. Com a expansão da indústria da cana de açúcar no Brasil, a disponibilidade deste resíduo agrícola se tornou enorme, inclusive com impactos ambientais (falta de destinação).

Quadro resumo de disponibilidade de resíduo agrícola no Brasil:

 

Tipo de resíduo Estimativas de produção anual no Brasil Bagaço de cana-de-açúcar (álcool e açúcar) 84,3 milhões de toneladas Casca de arroz 10,0 milhões de toneladas Resíduos da indústria da madeira 60,0 milhões de toneladas Casca de coco 0,5 milhões de toneladas Resíduos da castanha de caju 0,9 milhões de toneladas Lenha de desmatamentos em fronteiras agrícolas nas Regiões Centro Oeste e Norte 90,0 milhões de toneladas TOTAL 254,7 milhões de toneladas


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